A invenção do avião é um dos temas mais debatidos da história da ciência e da tecnologia. No centro dessa discussão estão dois nomes fundamentais: os irmãos norte-americanos Orville e Wilbur Wright e o brasileiro Alberto Santos Dumont.
Ambos deram contribuições decisivas para o desenvolvimento da aviação, mas a controvérsia persiste porque cada um atende a critérios distintos sobre o que pode ser considerado o primeiro voo de um avião.
Os irmãos Wright realizaram, em 17 de dezembro de 1903, o que muitos historiadores consideram o primeiro voo motorizado, controlado e sustentado da história. A aeronave Flyer I decolou em Kitty Hawk, na Carolina do Norte, permanecendo no ar por alguns segundos.
O feito, no entanto, ocorreu de forma reservada, sem ampla divulgação ou testemunhas públicas. Nos anos seguintes, em 1904 e 1905, os Wright aperfeiçoaram a tecnologia, realizando voos mais longos e com maior controle. Somente em 1908 eles passaram a fazer demonstrações públicas, inclusive na Europa, consolidando o reconhecimento internacional de seu pioneirismo.
Já Alberto Santos Dumont entrou para a história ao realizar, em 23 de outubro de 1906, em Paris, o primeiro voo público e oficialmente homologado de uma máquina mais pesada que o ar.
Pilotando o 14-Bis, Santos Dumont decolou diante de uma multidão e de representantes da Federação Aeronáutica Internacional (FAI), sem o uso de catapultas, trilhos ou qualquer auxílio externo para a decolagem. O voo foi considerado autônomo, atendendo aos critérios técnicos e esportivos da época, o que garantiu sua homologação oficial.
No Brasil e em grande parte da Europa, Santos Dumont é celebrado como o “Pai da Aviação”. Além do caráter público de seus voos, ele se destacou por sua postura ética e científica, ao não patentear suas invenções, defendendo que o conhecimento deveria beneficiar toda a humanidade. Sua atuação ajudou a popularizar a aviação e a demonstrar, de forma prática, que voar era possível e seguro.
Em síntese, a disputa não se resume a quem voou primeiro, mas ao conceito adotado para definir o “primeiro avião”. Se o critério for o voo inicial motorizado e controlado, os irmãos Wright ocupam esse lugar. Se, porém, o parâmetro for o voo público, autônomo e oficialmente reconhecido, Santos Dumont assume o protagonismo. Assim, mais do que rivais, ambos são pilares fundamentais da aviação moderna, cada um com um legado incontestável para a história da humanidade.
Cláudio Albano
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