Simepar e Defesa Civil alertam para avanço do El Niño e reforçam ações preventivas no Paraná
14/05/2026 Paraná
Fenômeno climático deve se intensificar a partir do inverno de 2026, elevando o risco de chuvas acima da média e exigindo preparação dos municípios para possíveis enchentes e deslizamentos

O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) está acompanhando semanalmente a evolução do El Niño, fenômeno climático natural previsto para se desenvolver a partir do inverno de 2026 e ganhar força ao longo do segundo semestre. A tendência, segundo especialistas, é de aumento nas chuvas em todo o Estado, com maior intensidade na metade sul do Paraná, região historicamente mais afetada pelos efeitos do evento.

De acordo com o meteorologista Reinaldo Kneib, do Simepar, o El Niño ocorre devido ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico, provocando mudanças importantes na circulação atmosférica global. “O El Niño é o aquecimento das águas do Oceano Pacífico, o que favorece com que haja mais calor e umidade para formar tempestades na região equatorial e isso altera as condições dos ventos. Como é um grande sistema climatológico, muda a circulação em vários pontos do globo”, explicou. Ainda segundo ele, na América do Sul, o fenômeno favorece o transporte de calor e umidade da Amazônia para o Sul do País, aumentando as chuvas na região e gerando maior risco de estiagens no Norte do Brasil.

Inverno mais ameno e chuvas acima da média no segundo semestre

Ao comparar dados históricos e projeções climáticas, o Simepar aponta que o inverno de 2026 deverá ser mais ameno em relação ao ano anterior, com menos ondas de frio intenso. No entanto, a partir do segundo semestre, as chuvas tendem a ser mais fortes, persistentes e irregulares, podendo causar transtornos em diversas regiões do Estado.

A previsão é de precipitação acima da média histórica em todas as áreas do Paraná, com destaque para municípios localizados na metade sul, onde tradicionalmente há maior vulnerabilidade a enchentes e deslizamentos durante períodos chuvosos prolongados.

El Niño deve atingir forte intensidade entre primavera e verão

No cenário internacional, o fenômeno é monitorado pelo índice ENOS (El Niño–Oscilação Sul), que mede a alternância entre aquecimento (El Niño) e resfriamento (La Niña) das águas do Pacífico Equatorial. Segundo o Climate Prediction Center, da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), o ENOS é considerado um dos fenômenos climáticos mais importantes do planeta devido à sua capacidade de alterar o clima em escala global.

A NOAA classifica o desenvolvimento do El Niño por trimestres, com base em médias móveis de três meses comparadas a uma referência histórica de 30 anos. Entre abril e junho, o Pacífico segue em condição de neutralidade. A partir do inverno de 2026, o fenômeno deve começar a se consolidar e aumentar gradativamente sua intensidade, podendo atingir níveis fortes a muito fortes entre a primavera e o verão.

Simepar reforça parceria técnica com a NOAA

Como parte do aprimoramento do monitoramento e prevenção de eventos extremos, o Simepar anunciou que, em julho, sua diretoria realizará uma missão técnica à NOAA. A iniciativa visa fortalecer a cooperação internacional e melhorar a capacidade de análise de fenômenos climáticos severos.

Técnicos da agência americana já participaram, inclusive, do Seminário do Simepar voltado à prevenção de tornados, realizado em março deste ano, reforçando o intercâmbio de informações e metodologias.

Defesa Civil orienta municípios e intensifica preparação

Com base nos prognósticos apresentados pelo Simepar, a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) realizou uma reunião com os 10 Núcleos de Atuação Regional (NAR) para reforçar ações preventivas junto aos municípios. Entre as principais recomendações está a revisão dos Planos de Contingência, com mapeamento atualizado de áreas vulneráveis a inundações e deslizamentos.

A Defesa Civil também orientou prefeituras a adotarem medidas preventivas, como desobstrução de galerias pluviais, dragagem de canais e vigilância constante de encostas suscetíveis a movimentações de massa. O acompanhamento dos alertas meteorológicos emitidos pelo Estado também foi destacado como essencial para reduzir riscos à população.

O coronel Fernando Schunig, coordenador estadual da Defesa Civil do Paraná, afirmou que a atenção está concentrada nas regiões com histórico recorrente de ocorrências causadas pelo excesso de chuvas. “A preparação está sendo feita em todo estado, em especial naqueles locais que tradicionalmente sofrem com enxurradas, enchentes ou deslizamentos”, destacou.

No Litoral, a prefeitura de Morretes já realizou um simulado de desastre, enquanto Antonina prepara um exercício semelhante ainda para este mês. Segundo Schunig, essas ações são fundamentais para que gestores públicos e comunidades saibam como agir em situações de emergência.

Fundo Estadual já destinou R$ 16,2 milhões para obras preventivas

Outra ferramenta importante na preparação do Estado é o Fundo Estadual para Calamidade Pública (Fecap), que está disponível para apoiar projetos municipais voltados à prevenção de eventos extremos. Nos últimos sete meses, o fundo destinou R$ 16,2 milhões para obras de drenagem em Londrina e Guaratuba e também para a construção de sete pontes na área rural de Espigão Alto do Iguaçu.

Schunig explicou que o processo de liberação de recursos depende da apresentação de projetos pelas prefeituras, que passam por análise técnica e cruzamento de dados com o Sistema Informatizado de Defesa Civil (SISDC).

Capacitação histórica de voluntários

Além das obras e orientações técnicas, a Defesa Civil também aposta na mobilização social. Este mês está sendo realizada a maior capacitação de voluntários da história do Paraná, com mais de 3 mil pessoas em formação. Aqueles que concluírem os sete módulos até o dia 1º de junho estarão habilitados para auxiliar em situações extremas, fortalecendo a resposta emergencial em todo o Estado.

Segundo o major Anderson Gomes, chefe do Centro de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cegerd), embora ainda não seja possível prever com precisão quais regiões serão mais atingidas, a tendência é de aumento de situações anormais ao longo das próximas estações. “Certamente teremos situações de anormalidade, mas por hora não é possível prever qual será a região mais vulnerável nem a magnitude que o fenômeno vai acrescentar às condições já esperadas”, afirmou.

Com o avanço do El Niño e o aumento esperado das chuvas no segundo semestre, Simepar e Defesa Civil reforçam que o momento de prevenção é agora, com planejamento, obras e capacitação, para reduzir impactos e proteger vidas em todo o Paraná.

Redação Guia São Miguel com informações do Simepar

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