El Niño começa a se formar e Paraná pode enfrentar chuvas acima da média nos próximos meses
12/06/2026 Paraná
Fenômeno climático já foi confirmado pela NOAA e pode atingir intensidade muito forte entre o fim de 2026 e início de 2027, com impactos monitorados pelo Simepar e Defesa Civil

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), agência meteorológica dos Estados Unidos, confirmou nesta quinta-feira (11) que as condições do fenômeno climático El Niño já estão presentes no Oceano Pacífico Equatorial. A previsão é de que o fenômeno continue se intensificando gradativamente e alcance seu pico entre a primavera e o verão de 2026/2027 no Hemisfério Sul.

No Paraná, os possíveis impactos estão sendo acompanhados de forma permanente pelo Simepar, órgão ligado à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Sustentável. Segundo os dados analisados pela NOAA, a temperatura da superfície do mar permanece acima de 0,5°C desde o mês de maio, indicando um aquecimento consistente que tende a aumentar nas próximas semanas.

Além do aquecimento na superfície, especialistas identificaram aumento de temperatura também nos primeiros 200 metros de profundidade do oceano. Esse processo interfere diretamente na circulação atmosférica global, alterando os ventos alísios e modificando o comportamento das tempestades em diferentes regiões do planeta.

De acordo com o meteorologista Reinaldo Kneib, a mudança na direção dos ventos no Pacífico Equatorial é um dos sinais mais importantes da consolidação do fenômeno. Segundo ele, águas quentes que permaneciam na região da Oceania começaram a se deslocar em direção à costa oeste da América do Sul, intensificando ainda mais o aquecimento oceânico e provocando alterações no regime de chuvas em escala global.

Para que o El Niño seja oficialmente consolidado, o aquecimento do oceano precisa permanecer acima da média por pelo menos três meses consecutivos. A expectativa é de que isso ocorra já em julho. A partir desse período, os primeiros efeitos sobre o clima do Paraná podem começar a ser percebidos.

As projeções dos principais centros internacionais de monitoramento climático indicam chuvas acima da média no estado paranaense até dezembro, com volumes significativamente mais elevados durante a primavera. Existe ainda uma probabilidade de 63% de ocorrência de um episódio considerado muito forte entre novembro e janeiro, podendo colocar o evento de 2026 entre os mais intensos já registrados desde o início da série histórica, em 1950.

Diante do cenário, a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil já intensificou ações preventivas em todo o estado por meio dos Núcleos de Atuação Regional. Simulados de emergência já foram realizados em áreas de risco nas cidades de Morretes e Antonina, no litoral paranaense, enquanto encontros com prefeitos e coordenadores regionais seguem sendo promovidos para reforçar estratégias de prevenção.

Entre as medidas prioritárias orientadas aos municípios estão o desassoreamento de rios e córregos, atualização dos planos de contingência, identificação de áreas vulneráveis e ampliação da estrutura de abrigos. Nos anos de 2025 e 2026, o Governo do Paraná já destinou R$ 16 milhões por meio do Fundo Estadual para Calamidades Públicas para obras preventivas e reconstrução de estruturas em cidades como Londrina, Guaratuba e Espigão Alto do Iguaçu.

Especialistas alertam que o acompanhamento contínuo será essencial nos próximos meses, já que a evolução do El Niño poderá influenciar diretamente o volume de chuvas, aumentando o risco de enchentes, deslizamentos e outros eventos climáticos extremos em diversas regiões do Estado.

Redação Guia São Miguel com informações do Simepar

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