Operação Rescaldo bloqueia quase R$ 2 milhões em bens de grupo investigado por tráfico
14/08/2026 Foz do Iguaçu
Investigação da DENARC aponta que organização movimentou mais de R$ 9,2 milhões e utilizava distribuidora de bebidas como fachada para o tráfico e a lavagem de dinheiro

A Polícia Civil do Paraná (PCPR), por meio da Divisão Estadual de Narcóticos (DENARC), núcleo de Foz do Iguaçu, deflagrou nesta sexta-feira (14) a Operação Rescaldo, com o objetivo de desarticular uma associação criminosa investigada por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro no bairro Vila C, em Foz do Iguaçu.

A ação contou com o apoio do Núcleo de Operações com Cães (NOC) e do Batalhão de Choque da Polícia Militar. Ao todo, a Justiça expediu 20 mandados judiciais, sendo três de busca e apreensão, 11 de sequestro de bens móveis e imóveis, três de bloqueio de contas bancárias e três de prisão.

Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram apreendidos R$ 134.486,45 em dinheiro, 207 gramas de joias douradas, seis veículos, 23 porções de haxixe prontas para comercialização, totalizando 24 gramas, além de uma balança de precisão e nove telefones celulares.

Ao todo, quatro pessoas foram presas nesta sexta-feira, sendo dois homens e duas mulheres. Os presos foram encaminhados ao sistema prisional de Foz do Iguaçu e permanecem à disposição da Justiça.

Estratégia para destruir provas

De acordo com a investigação, o grupo utilizava uma distribuidora de bebidas como empresa de fachada e mantinha um sofisticado sistema de monitoramento por câmeras, conectado aos celulares dos integrantes e a grupos de mensagens criados para alertar sobre a aproximação de viaturas policiais.

Quando recebiam informações sobre uma possível abordagem, os investigados iniciavam um protocolo de ocultação de provas. Tabletes de crack e cocaína eram arremessados em uma churrasqueira mantida propositalmente acesa no estabelecimento.

Em uma das diligências realizadas nesta sexta-feira, uma das investigadas teria corrido para os fundos do imóvel ao perceber a chegada dos policiais e arremessado três celulares e pacotes de entorpecentes em uma churrasqueira acesa. Os policiais conseguiram retirar o material ainda em chamas, que foi encaminhado para perícia.

A estratégia deu origem ao nome da operação. “Rescaldo” faz referência justamente ao trabalho dos policiais para recuperar vestígios e provas mesmo após a tentativa de destruição pelo fogo.

Mais de R$ 9 milhões movimentados

As investigações financeiras realizadas pela DENARC apontaram que o casal apontado como liderança do grupo movimentou conjuntamente mais de R$ 9,2 milhões em contas bancárias entre 2021 e 2026, apesar de não apresentar fonte de renda lícita compatível com os valores.

Segundo a Polícia Civil, os recursos provenientes do tráfico eram inseridos na economia formal por meio da aquisição de imóveis, com utilização de escrituras subfaturadas e pessoas utilizadas como “laranjas” para ocultar a origem e a propriedade dos bens.

Entre os imóveis sequestrados estão um terreno comercial no bairro Cidade Nova, avaliado em aproximadamente R$ 220 mil, mas registrado por apenas R$ 58,80; um lote no Jardim Baifus registrado por R$ 52.921,97; e um sobrado avaliado em cerca de R$ 400 mil, declarado em escritura por R$ 1.188,95.

Também foram sequestradas quitinetes no Cidade Nova e outras duas residências que, segundo a investigação, foram escrituradas por valores significativamente inferiores aos praticados no mercado.

Ao todo, quase R$ 2 milhões em bens móveis e imóveis foram sequestrados judicialmente, além do bloqueio das contas bancárias dos investigados, cujos saldos ainda serão apurados.

Investigação começou em março

A primeira fase da investigação ocorreu em 20 de março de 2026. Na ocasião, os policiais conseguiram recuperar das cinzas e brasas da churrasqueira pequenas quantidades de crack parcialmente queimadas. A substância foi posteriormente identificada por meio de laudo pericial definitivo da Polícia Científica, servindo como prova material do tráfico.

Para o delegado de Polícia Rodrigo Colombelli, a operação representa mais uma ação de enfrentamento à estrutura financeira das organizações criminosas que atuam na região de fronteira.

“A ação é resultado de um trabalho investigativo focado em descapitalizar financeiramente as organizações na região de fronteira, retirando quase dois milhões de reais em patrimônio de circulação e dando encaminhamento aos responsáveis à Justiça.”

O patrimônio imobiliário e os veículos sequestrados ficarão sob custódia do Estado e poderão ser submetidos posteriormente à alienação judicial, com eventual reversão dos valores em favor das forças de segurança pública do Paraná.

Redação Guia São Miguel com informações da PCPR-DENARC-FOZ

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