“Você sabe como está a sua pressão?”
A hipertensão arterial é uma das condições mais comuns da vida adulta — e também uma das mais traiçoeiras. Na maioria das vezes, ela não provoca sintomas. A pessoa pode se sentir perfeitamente bem enquanto, ao longo dos anos, a pressão elevada aumenta o risco de doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral e doença renal.
Por isso, esperar sentir alguma coisa para medir a pressão não é uma boa estratégia. A única maneira de saber como está a pressão arterial é medi-la adequadamente.
Mas uma medida isolada significa que a pessoa é hipertensa?
Não necessariamente. O diagnóstico precisa considerar medidas adequadas e repetidas, além do contexto clínico. A diretriz brasileira de 2025 aborda justamente a confirmação diagnóstica, a avaliação do risco cardiovascular e as diferentes formas de medir a pressão arterial.
E quando a pressão está alta, o que podemos fazer?
O tratamento não se resume ao comprimido.
Alimentação adequada, redução do consumo de sal, atividade física regular, controle do peso quando necessário, não fumar e moderar o consumo de álcool fazem parte do cuidado. Essas medidas podem ajudar a prevenir e reduzir a pressão arterial, embora muitas pessoas também precisem de medicamentos.
E existe outro ponto importante: o tratamento precisa ser individualizado. Idade, outras doenças, risco cardiovascular, função renal, medicamentos em uso e tolerância ao tratamento são alguns dos fatores que precisam ser considerados.
Tomar o medicamento todos os dias também faz parte do tratamento. Suspender por conta própria porque “a pressão normalizou” pode ser um erro: muitas vezes, ela está normal justamente porque o tratamento está funcionando.
E aquela velha frase: “Minha pressão está alta porque estou nervoso”?
Estresse e emoções podem elevar temporariamente a pressão, mas isso não significa que toda pressão elevada seja causada apenas pelo estresse. Quando os valores estão repetidamente elevados, é necessário investigar e acompanhar.
A hipertensão pode não doer, não avisar e não atrapalhar a rotina no começo. Mas cuidar dela hoje é uma forma de proteger o coração, o cérebro, os rins e a própria autonomia no futuro.
Medir a pressão regularmente, conhecer seus números e manter o acompanhamento médico são atitudes simples que podem fazer parte de uma vida mais longa e saudável.
Pressão sob controle não é apenas um número no aparelho. É cuidado com o futuro.
Dra. Marjoly Schmitt
Médica especialista em Clínica Médica | Pós graduada em Geriatria
CRM-PR 47.587 | RQE 34.831
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