O fim da escala de trabalho 6x1 poderá reduzir a oferta de produtos de origem animal e provocar aumento dos preços ao consumidor. O alerta foi feito pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), em nota divulgada após a aprovação da proposta pelo Senado Federal.
A entidade avalia que a mudança na jornada de trabalho poderá trazer desafios para a capacidade produtiva das empresas do setor, que engloba segmentos como a produção de carnes de aves e suínos e de ovos.
Em posicionamento oficial, a ABPA afirmou que cumprirá a nova legislação, mas destacou que as empresas já enfrentavam dificuldades para preencher seus quadros de funcionários antes mesmo da mudança. Segundo a associação, a escassez de mão de obra levou parte das empresas a recorrer à contratação de trabalhadores imigrantes.
De acordo com a ABPA, a adaptação às novas escalas de trabalho poderá exigir mudanças na organização das equipes e comprometer a capacidade produtiva de algumas empresas.
A associação também prevê aumento do custo médio de produção, que poderá ser repassado aos consumidores por meio dos preços dos produtos.
As possíveis consequências, segundo a entidade, incluem redução na disponibilidade de determinados alimentos de origem animal e pressão sobre os preços no mercado interno.
Os impactos efetivos, porém, dependerão de como as empresas conseguirão reorganizar suas operações, contratar trabalhadores e adequar as jornadas às novas regras.
A proposta aprovada pelo Senado prevê a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, além de dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial.
A mudança representa uma alteração importante na organização do trabalho para os setores que atualmente adotam a escala 6x1, modelo em que o funcionário trabalha seis dias consecutivos e descansa um.
A discussão envolve questões relacionadas à qualidade de vida dos trabalhadores, à produtividade das empresas, aos custos operacionais e à geração de empregos.
Enquanto defensores da redução da jornada destacam os possíveis benefícios para o descanso e o bem-estar dos trabalhadores, representantes de setores produtivos demonstram preocupação com os custos de adaptação e a necessidade de manter os níveis de produção.
A avaliação da ABPA reforça o debate sobre os possíveis efeitos econômicos da mudança, especialmente em atividades que dependem de mão de obra contínua para garantir o abastecimento do mercado.
Importante: as consequências apontadas pela associação são projeções do setor e não significam que haverá, necessariamente, redução da oferta ou aumento dos preços. Esses efeitos dependerão da implementação das novas regras e da capacidade de adaptação das empresas.
Redação Guia São Miguel com informações do Canal Rural
Foto: Lucas Scherer/Embrapa Suínos e Aves
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